É próprio do homem inquietar-se com o alémmundo, com o seu destino ultrafísico, inquietude que se aguça de quando em quando por efeito de algum padecimento ou por encontros com enigmas que a inteligência tem procurado em vão desvendar. O espectro da morte o aterroriza. Contempla seu ser físico e estremece pensando que pode perdê-lo, que o perderá irremediavelmente; e pergunta a si mesmo, com insistente ansiedade, se lhe seria possível escapar dessa imaginada voragem que o vai levando inexoravelmente à desintegração total de sua existência. A essa indagação a inteligência não responde, guarda silêncio, mas internamente a inquietude se aprofunda e chega às vezes ao desassossego.
VtÑ•àâÄÉ D Origem das inquietudes espirituais.
Quem, senão o próprio espírito, promove tais desassossegos? Quem, senão ele, induz o homem a buscar o saber? Mas não o saber comum, que atende às exigências da vida corrente. Referimo-nos ao que enriquece a consciência, ao que transcende a esfera vulgar do mundo para dominar, na medida de sua extensão, o imenso campo mental, o metafísico, povoado pelos pensamentos e pelas grandes idéias. Nesse âmbito de incontáveis milhões de entidades ultrafísicas é que o espírito individual costuma captar as imagens mais valiosas, das quais faz o ente físico participar ao estabelecer-se a íntima correspondência entre ambos, com vistas a uma plena identificação. De certo modo, o ente físico poderia ser comparado a um televisor com antena. Sem esta, as imagens ficam confusas, mas aparecem nítidas com ela. No caso do ente físico, ninguém deixará de perceber quem faz as vezes de antena, só que não é fixa, mas sim móvel e, portanto, de longo alcance; porém ela o é na medida em que aumenta sua capacidade receptora, ou seja, quando o espírito, escalando alturas pela evolução, domina áreas cada vez mais dilatadas da concepção universal. Acontece que o homem, ao experimentar essas inquietudes, procura satisfazê-las sem pensar elas implicam um chamado à sua razão e à sua sensibilidade, para que sinta a necessidade de dedicar-se à sua emancipação integral1. Por esse caminho, consegue apenas acalmar ou, dizendo melhor, adormecer temporariamente sua vontade, que deveria ser estimulada por um firme anelo de superação. Não podemos deixar de mencionar aqui os desenganos experimentados por inúmeras pessoas que, de boafé, acreditaram ter encontrado o meio de satisfazer suas inquietudes indo de um lado para outro e, ainda, recorrendo a quem nada tem a ensinar, a não ser suas extravagantes idéias, seus fanatismos ou suas ambições de lucro. Tanto a religião como a ciência e a filosofia se mantiveram também à margem destes conhecimentos relativos ao espírito e, em conseqüência, não puderam orientar devidamente o crente na superação de suas dificuldades. Com os resultados à vista, pode-se muito bem afirmar que pouco ou nada já se disse de certo a respeito do espírito humano; mais ainda, até o presente ninguém encarou a questão com a seriedade e a segurança que ela requer. Aqueles que tomaram a seu cargo sua elucidação – por conta própria ou por
1 A emancipação integral compreende a parte mental, moral, psíquica e espiritual, o que por sua vez libera a parte física de sua impotência. Mandado de suas respectivas comunidades filosóficas ou religiosas – não puderam nunca satisfazer tão legítima inquietude, justamente por carecerem de conhecimentos que lhes revelassem o profundo mistério que o espírito representa para a razão do homem. Quando chega a essa conclusão, o indivíduo se rebela contra tanta eloqüência limitativa, convertendo-se em ressentido moral. Apesar disso e de tudo o mais, continua buscando. Suas esperanças demoram a extinguir-se, e, mesmo em meio a tanta obscuridade e a tantos desacertos, sempre confia em encontrar uma luz que ilumine sua inteligência. Se o homem tivesse sido criado somente de “barro”, como tantas vezes já se disse, teria tantas inquietudes quantas têm os seres que povoam as demais espécies. Mas o constante anelo de expressar-se, de comunicar-se, demonstra o contrário; demonstra que seu ser não é inteiramente material, que algo superior anima sua vida e lhe permite pensar e sentir; é como algo que ele não vê nem pode tocar, mas cuja existência suspeita, pressente ou intui.
Esse ente ignorado, que articula seus movimentos na penumbra mental de seu ser, frustrando as indagações da inteligência, é o espírito, mas ele só terá ingerência na vida do homem quando este se dispuser a iluminá-la com conhecimentos adequados, que lhe permitam, ao dar-lhe acesso ao âmbito interno, conhecer o porquê dessas inquietudes que jamais pôde silenciar. Apesar de sua decepção, o homem sempre buscou transcender as limitações impostas pelo mundo que o rodeia, cujas necessidades deve atender com as próprias luzes, o que não impede que, enquanto isso, a vida passe e essas luzes se apaguem, sem terem conseguido iluminar outros horizontes, aqueles que a própria intuição tantas vezes o fez vislumbrar. A Logosofia põe a descoberto uma infinidade de meios para conduzir o pensamento do homem até as causas que o mantêm nessa situação, mas para beneficiar-se com tal descobrimento ele deve dispor-se a modificar esse costume – nele tão arraigado – de conduzir-se segundo suas conveniências imediatas, sem saber com precisão o que é aquilo que busca, nem para que o busca. É fato certo que uns e outros se interrogam sem conseguir sobrepor-se às vaguidades dos próprios interrogatórios. Com grande satisfação, podemos já anunciar a significativa transcendência da contribuição logosófica, corroborada por uma infinidade de testemunhos vivos. Com efeito, a verdade logosófica interessa de forma tão medular à inteligência e à sensibilidade dos seres que recebem nossa palavra – estejam eles na infância, juventude ou idade madura –, que de imediato a assimilam com fruição, por senti-la como um alimento vital para a existência. Segundo manifestações daqueles que já o comprovaram, trata-se de algo que haviam intuído vagamente, sem haver encontrado jamais o ponto de apoio, a luz esclarecedora que satisfizesse plenamente essa inquietude. Observe-se a importância do fato assinalado, por ser fiel expoente do estado geral que grande parte dos seres humanos acusa. Que disseram a respeito as religiões, a filosofia e a ciência? A julgar pelas mais desencontradas versões que sobre o espírito deixaram correr, nada de concreto veio a fundamentar uma realidade que cada indivíduo pudesse comprovar por si, livre da sugestão, da pressão ou do influxo que, em muitos casos, exercem sobre sua vontade. Nada há de ser mais grato aos olhos de Deus que o anelo puro, sincero e honesto de conhecer a verdade. Mas, para conhecê-la em cada uma das partes em que se subdividem os inúmeros degraus pelos quais se ascende até ela, é necessário ir desterrando tudo aquilo que simula ser verdade, sendo como tal admitida. É justo, pois, que se prefira ser, acima de tudo, leal para com a própria consciência, buscando seu contato para que a inteligência possa refletir e julgar com inteiro acerto cada fato, cada situação, cada palavra ou circunstância relacionada com o próprio existir. Inegavelmente, os seres humanos amam a vida; querem vivê-la, mesmo que a maioria não saiba o que fazer para vivê-la bem. Correm assim os dias, os meses e os anos como que num vazio. A que se reduz, pois, o tempo de sua existência? Outra coisa é quando se vive com intensidade, quando a mente se mantém em permanente contato com o Pensamento Universal, e a existência se sente animada por esse pensamento, porque a vida assume então outro caráter; já não sesente só nem vazia. Esse vazio interno que tantos seres sentem, sem saber como preencher, desapareceu. Referimo-nos, antes, ao afã da criatura humana por calar os insistentes reclamos do espírito, manifestados na necessidade de inquirir que percebemos nela desde que nasce até o momento de abandonar o mundo. Por própria experiência, e somando a isso o observado, sabemos que já desde pequena, ao recolher uma resposta que satisfaz suas ânsias, experimenta uma agradável sensação de calma; foi preenchido o vazio de onde provinha sua inquietude. O mau e prejudicial, insistimos, é quando, ao avançar em idade, não consegue canalizá-las convenientemente, procurando reunir dentro de si tudo aquilo que ignora, mas cuja existência pressente ou intui, manifestando-se na íntima necessidade de ser mais feliz do que é e no anseio de alcançar uma noção mais ampla sobre a vida. Quantos passos em falso seriam evitados, bastando apenas que se compreendesse que a manifestação de tais inquietudes tem sua origem na própria força que sustém a vida humana, e reconhecendo no espírito de cada um o encarregado de avivá-las, até que o homem decida ocupar-se seriamente desse chamado interno, o qual, mesmo que não pressione em todos os casos, nem por isso deixa de influir sobre a vida. Exímia conhecedora das causas que acicatam continuamente o homem em seu andar pelo mundo, a Logosofia lhe oferece a oportunidade de realizar em si mesmo a grande operação alquímica que, ao longo de um processo de evolução consciente, lhe permite desenvolver aptidões para controlar e regular suas aspirações, criando tudo isso um estado de equilíbrio propício às manifestações de seu espírito. Daí nossa insistência em reclamar a necessária atenção para estes conhecimentos, os quais, por serem transcendentes, encaminham conscientemente pensamentos e ações, conferindo ao espírito a oportunidade de viver na terra com prerrogativas similares às de seu ser físico.
Autismo e espiritismo
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
INTRODUÇÃO.
Desde os alvores do mundo, a vida do homem tem sido um contínuo transitar entre a ignorância e o saber, regulado pelo desenvolvimento progressivo das funções de seu entendimento, o que o levou a realizar inusitados esforços para liberar-se da primeira e alcançar o segundo, em boa parte concretizados pelas vias técnica e científica, da mesma forma que pela arte. Não obstante, houve zonas de sua mente que permaneceram alheias a esse desenvolvimento evolutivo. Estamos nos referindo às zonas que abarcam: 1º) o conhecimento de si mesmo; 2º) o conhecimento do mundo metafísico ou transcendente; 3º)o conhecimento de Deus. Essas zonas mentais, convertidas por sua inatividade em fronteiras que limitam o entendimento, tor
naram-se para ele cada vez mais infranqueáveis, por sua pretensão de transpô-las dirigindo sua atenção invariavelmente para o externo. Foi assim que reiteradamente tentou ver, estudar e descobrir em seus semelhantes as causas que lhe revelassem sua origem, o porquê de seu aparecimento na terra, sua missão e, finalmente, seu futuro extraterreno, ou seja, a sobrevivência de sua entidade anímica. Não pôde compreender – pois ninguém lhe ofereceu esse grande conhecimento – que tão maravilhoso mistério deve ser surpreendido nas profundezas do próprio ser interno, por ser ali, e não em outra parte, onde o homem alcançará o ansiado instante de se encontrar com seu espírito e receber dele o imenso bem representado pelo despertar para uma realidade que supera tudo o que foi intuído. Para quem permaneceu alheio ao conhecimento de sua natureza espiritual, fica difícil dar-se conta de que é aí onde achará a explicação de múltiplos fatos incompreendidos, tanto de sua vida como da vida dos semelhantes. Só agora, ao assumir a consciência dessa realidade, tal como a Logosofia a descobre ao entendimento humano,
pode o homem surgir ante si mesmo com plenitude de conhecimento e afirmar-se no domínio consciente de sua existência. Apreciará, com assombro, por que certos setores importantes da humanidade caem no erro ao serem guiados pelos tortuosos caminhos da fantasia, inventada para ligá-los a crenças obscurantistas. O homem não pode alienar a liberdade de seu espírito, sob pena de frustrar sua evolução e perder sua individualidade. Deve, então, preservar essa liberdade de todo risco; e conseguirá isso se efetuar sua união com o próprio espírito, mediante o processo de evolução consciente que a ciência logosófica prescreve e ensina a realizar. Nossa concepção do espírito começa por explicar qual é sua essência e sua realidade precisa e incontestável, como é seu influxo sobre o ser a quem ele anima, qual sua prerrogativa, sua possibilidade de manifestação e, finalmente, sua verdadeira missão aqui, neste grande campo experimental que é o mundo. Mas essa explicação requer um verdadeiro esforço didático, do qual nenhum detalhe concreto deve escapar, principalmente se se quer levar o entendimento até os domínios de uma prática ampla
e tenaz, com o objetivo de compreender sem equívocos os vastos alcances de um conhecimento de tal magnitude, como é o que abarca a concepção integral do espírito. Isso requer seu tempo, naturalmente. Fazemo-lo notar por causa da tendência a querer saber tudo de golpe, por uma simples leitura ou estudo ligeiro da verdade, enunciada e fundamentada em fatos categóricos. O conhecimento do próprio espírito exige antes de mais nada seriedade, meditações serenas, análises continuadas e cuidadosas de suas fugazes intervenções, e atenção constante para surpreendêlo quando usa de nossas faculdades. Exemplos concretos dessas fugazes intervenções, nós os temos toda vez que acodem à nossa mente pensamentos estimáveis, cujo concurso não esperávamos, ou quando brotam do ato de pensar idéias luminosas que assombram o próprio juízo. Nesta ordem de estudos não deve existir, pois, pressa nem descuidos, invariavelmente prejudiciais à boa marcha das investigações, que haverão de culminar na certa e ansiada comprovação acerca da autêntica realidade do espírito como potência inteligente e dinâmica da existência humana.
Para as pessoas em geral – bem o sabemos –, é difícil implantar um conceito em lugar de outro de longo enraizamento na mente e pouco menos que imodificável. Assim, por exemplo, para uns o espírito é a alma, ou o intelecto, ou o centro anímico do pensamento. Para outros é o ser incorpóreo, a razão, a sensibilidade, e até a personalidade. Há os que acreditam ainda que o espírito se manifesta nos estados emocionais, sentimentais, ou de alto vôo intelectual ou artístico, como prova de que o homem, ao exaltar momentaneamente suas elevadas preferências, concede ao espírito a prerrogativa de deleitar-se com tais preferências. Lamentável erro, como se haverá de ver mais adiante, ao tratarmos a fundo algumas circunstâncias próprias das modalidades que caracterizam o espírito. Mas devemos ressaltar neste ponto que, não obstante a dificuldade apontada, temos podido apreciar com que presteza esta é transposta por aqueles que, usando de sua razão e não da alheia, percebem a diferença substancial que existe entre o confuso conceito corrente e a concepção logosófica, clara e precisa. Se insistimos neste particular é porque sabemos da distância que separa a mente do verdadeiro con
ceito que a palavra “espírito” encerra. Ninguém o precisou, porque ninguém penetrou nos segredos de sua não manifestada – embora não menos maravilhosa – realidade. Dissemos “não manifestada” porque é uma verdade inquestionável que o homem não percebe as evidências de sua realidade, por nunca haver experimentado as mudanças que nele se produzem quando o espírito se dispõe a integrar o equipamento psicofísico e participar ativamente na condução da vida. Em realidade, o espírito foi sempre ignorado, ou dele sempre se falou com prevenção, chegando-se em não poucos casos à sua sistemática negação – referimo-nos aqui à ciência –, como se o espírito fosse algo impossível de comprovar ou alheio à investigação desse ramo do saber humano. Tampouco fazemos referência aos milhões de almas que ainda não transpuseram os mais elementares níveis de cultura, por não terem sequer uma remota idéia do que é e deve representar o espírito para cada indivíduo. Se bem estejamos dando importantes elementos de juízo para que cada um forme para si um cabal conceito sobre seu espírito, tal como deve ser ele conhecido e sentido em sua manifesta realidade,
devemos advertir que isso nunca acontecerá com a simples leitura do que expressamos, mas sim pela aplicação racional e consciente destes conhecimentos ao processo interno que a Logosofia ensina a realizar, processo mediante o qual se chega à verificação de mudanças concretas e reais na apreciação definitiva desta verdade. Queremos ressaltar com isto que ingenuamente se engana quem pretende satisfazer sua inquietude com o mero conhecimento teórico de um tema que deve assumir para a vida uma transcendental importância.
naram-se para ele cada vez mais infranqueáveis, por sua pretensão de transpô-las dirigindo sua atenção invariavelmente para o externo. Foi assim que reiteradamente tentou ver, estudar e descobrir em seus semelhantes as causas que lhe revelassem sua origem, o porquê de seu aparecimento na terra, sua missão e, finalmente, seu futuro extraterreno, ou seja, a sobrevivência de sua entidade anímica. Não pôde compreender – pois ninguém lhe ofereceu esse grande conhecimento – que tão maravilhoso mistério deve ser surpreendido nas profundezas do próprio ser interno, por ser ali, e não em outra parte, onde o homem alcançará o ansiado instante de se encontrar com seu espírito e receber dele o imenso bem representado pelo despertar para uma realidade que supera tudo o que foi intuído. Para quem permaneceu alheio ao conhecimento de sua natureza espiritual, fica difícil dar-se conta de que é aí onde achará a explicação de múltiplos fatos incompreendidos, tanto de sua vida como da vida dos semelhantes. Só agora, ao assumir a consciência dessa realidade, tal como a Logosofia a descobre ao entendimento humano,
pode o homem surgir ante si mesmo com plenitude de conhecimento e afirmar-se no domínio consciente de sua existência. Apreciará, com assombro, por que certos setores importantes da humanidade caem no erro ao serem guiados pelos tortuosos caminhos da fantasia, inventada para ligá-los a crenças obscurantistas. O homem não pode alienar a liberdade de seu espírito, sob pena de frustrar sua evolução e perder sua individualidade. Deve, então, preservar essa liberdade de todo risco; e conseguirá isso se efetuar sua união com o próprio espírito, mediante o processo de evolução consciente que a ciência logosófica prescreve e ensina a realizar. Nossa concepção do espírito começa por explicar qual é sua essência e sua realidade precisa e incontestável, como é seu influxo sobre o ser a quem ele anima, qual sua prerrogativa, sua possibilidade de manifestação e, finalmente, sua verdadeira missão aqui, neste grande campo experimental que é o mundo. Mas essa explicação requer um verdadeiro esforço didático, do qual nenhum detalhe concreto deve escapar, principalmente se se quer levar o entendimento até os domínios de uma prática ampla
e tenaz, com o objetivo de compreender sem equívocos os vastos alcances de um conhecimento de tal magnitude, como é o que abarca a concepção integral do espírito. Isso requer seu tempo, naturalmente. Fazemo-lo notar por causa da tendência a querer saber tudo de golpe, por uma simples leitura ou estudo ligeiro da verdade, enunciada e fundamentada em fatos categóricos. O conhecimento do próprio espírito exige antes de mais nada seriedade, meditações serenas, análises continuadas e cuidadosas de suas fugazes intervenções, e atenção constante para surpreendêlo quando usa de nossas faculdades. Exemplos concretos dessas fugazes intervenções, nós os temos toda vez que acodem à nossa mente pensamentos estimáveis, cujo concurso não esperávamos, ou quando brotam do ato de pensar idéias luminosas que assombram o próprio juízo. Nesta ordem de estudos não deve existir, pois, pressa nem descuidos, invariavelmente prejudiciais à boa marcha das investigações, que haverão de culminar na certa e ansiada comprovação acerca da autêntica realidade do espírito como potência inteligente e dinâmica da existência humana.
Para as pessoas em geral – bem o sabemos –, é difícil implantar um conceito em lugar de outro de longo enraizamento na mente e pouco menos que imodificável. Assim, por exemplo, para uns o espírito é a alma, ou o intelecto, ou o centro anímico do pensamento. Para outros é o ser incorpóreo, a razão, a sensibilidade, e até a personalidade. Há os que acreditam ainda que o espírito se manifesta nos estados emocionais, sentimentais, ou de alto vôo intelectual ou artístico, como prova de que o homem, ao exaltar momentaneamente suas elevadas preferências, concede ao espírito a prerrogativa de deleitar-se com tais preferências. Lamentável erro, como se haverá de ver mais adiante, ao tratarmos a fundo algumas circunstâncias próprias das modalidades que caracterizam o espírito. Mas devemos ressaltar neste ponto que, não obstante a dificuldade apontada, temos podido apreciar com que presteza esta é transposta por aqueles que, usando de sua razão e não da alheia, percebem a diferença substancial que existe entre o confuso conceito corrente e a concepção logosófica, clara e precisa. Se insistimos neste particular é porque sabemos da distância que separa a mente do verdadeiro con
ceito que a palavra “espírito” encerra. Ninguém o precisou, porque ninguém penetrou nos segredos de sua não manifestada – embora não menos maravilhosa – realidade. Dissemos “não manifestada” porque é uma verdade inquestionável que o homem não percebe as evidências de sua realidade, por nunca haver experimentado as mudanças que nele se produzem quando o espírito se dispõe a integrar o equipamento psicofísico e participar ativamente na condução da vida. Em realidade, o espírito foi sempre ignorado, ou dele sempre se falou com prevenção, chegando-se em não poucos casos à sua sistemática negação – referimo-nos aqui à ciência –, como se o espírito fosse algo impossível de comprovar ou alheio à investigação desse ramo do saber humano. Tampouco fazemos referência aos milhões de almas que ainda não transpuseram os mais elementares níveis de cultura, por não terem sequer uma remota idéia do que é e deve representar o espírito para cada indivíduo. Se bem estejamos dando importantes elementos de juízo para que cada um forme para si um cabal conceito sobre seu espírito, tal como deve ser ele conhecido e sentido em sua manifesta realidade,
devemos advertir que isso nunca acontecerá com a simples leitura do que expressamos, mas sim pela aplicação racional e consciente destes conhecimentos ao processo interno que a Logosofia ensina a realizar, processo mediante o qual se chega à verificação de mudanças concretas e reais na apreciação definitiva desta verdade. Queremos ressaltar com isto que ingenuamente se engana quem pretende satisfazer sua inquietude com o mero conhecimento teórico de um tema que deve assumir para a vida uma transcendental importância.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
ADVERTÊNCIA
Não escapará aos que leiam este livro que seu conteúdo faz parte de um plano concebido pela sabedoria logosófica para que o ser humano penetre triunfalmente nos arcanos de sua existência e descubra a verdade, incontroversa e inobjetável, de tudo quanto lhe interessa conhecer sobre si mesmo e sobre o mundo metafísico. É sabido que não há pior inimigo da liberdade de pensar que as próprias limitações, e limitações são, em particular, os preconceitos e o temor provenientes de idéias inculcadas, que impedem o livre raciocínio e sufocam todo impulso do sentir, ansioso sempre de maior amplitude para os nobres reclamos do coração. Felizmente, são muitas as pessoas dispostas a exercer o direito inalienável de ser donas e senhoras de sua vontade, de sua inteligência e de sua sensibilidade.
poucas palavras, capazes de dispor de sua vida e de mantero próprio destino sob a dependência única e exclusiva de si mesmas. O ESPÍRITO, como todos os livros logosóficos, deve ser lido com a disposição de encontrar, em meditadas leituras, conhecimentos que ampliem e enriqueçam a vida. E isso deverá cumprir-se com clara noção da importância de que se reveste tal indicação. Finalmente, destacamos que os vocábulos de fundo, utilizados neste livro, representam conteúdos logosóficos que diferem dos que estão em uso. Sugerimos, pois, buscar em nossa bibliografia a acepção que lhes atribuímos; por exemplo, ao mencionarmos o termo “consciente”, dever-se-á entender que nos referimos ao estado de plenitude que infunde um novo e vibrante fulgor na vida. Comumente se pensa e se atua em virtude de um rápido processo mental que se verifica nas imediações da consciência. Todavia, ninguém poderia dizer que é consciente em todos os instantes de sua vida, e de modo especial quando se trata de sua evolução e destino. A Logosofia expressa que a consciência é a essência viva dos conhecimentos que a integram, o que dá idéia de que, quanto mais conhecimentos assimila, maior é a ati
tude consciente do indivíduo. Mas isso não chega nunca a motivar o funcionamento pleno da consciência, o que é possível quando esta se nutre com conhecimentos que custodiam o processo de evolução consciente, o qual, realizado sob o controle da auto-observação, nos adverte sobre a diferença que existe entre o conteúdo comum do vocábulo “consciente” e o logosófico. O homem deve ser consciente das mudanças favoráveis experimentadas dia após dia por seu próprio conteúdo moral, psicológico e espiritual, bem como do aumento de sua capacidade consciente para compreender que pode ampliar indefinidamente sua vida.
poucas palavras, capazes de dispor de sua vida e de mantero próprio destino sob a dependência única e exclusiva de si mesmas. O ESPÍRITO, como todos os livros logosóficos, deve ser lido com a disposição de encontrar, em meditadas leituras, conhecimentos que ampliem e enriqueçam a vida. E isso deverá cumprir-se com clara noção da importância de que se reveste tal indicação. Finalmente, destacamos que os vocábulos de fundo, utilizados neste livro, representam conteúdos logosóficos que diferem dos que estão em uso. Sugerimos, pois, buscar em nossa bibliografia a acepção que lhes atribuímos; por exemplo, ao mencionarmos o termo “consciente”, dever-se-á entender que nos referimos ao estado de plenitude que infunde um novo e vibrante fulgor na vida. Comumente se pensa e se atua em virtude de um rápido processo mental que se verifica nas imediações da consciência. Todavia, ninguém poderia dizer que é consciente em todos os instantes de sua vida, e de modo especial quando se trata de sua evolução e destino. A Logosofia expressa que a consciência é a essência viva dos conhecimentos que a integram, o que dá idéia de que, quanto mais conhecimentos assimila, maior é a ati
tude consciente do indivíduo. Mas isso não chega nunca a motivar o funcionamento pleno da consciência, o que é possível quando esta se nutre com conhecimentos que custodiam o processo de evolução consciente, o qual, realizado sob o controle da auto-observação, nos adverte sobre a diferença que existe entre o conteúdo comum do vocábulo “consciente” e o logosófico. O homem deve ser consciente das mudanças favoráveis experimentadas dia após dia por seu próprio conteúdo moral, psicológico e espiritual, bem como do aumento de sua capacidade consciente para compreender que pode ampliar indefinidamente sua vida.
sábado, 24 de novembro de 2018
A obra do DR Juan Danilo falando sobre autismo e espiritismo que vamos estudar.
Tal como declara num dos últimos capítulos deste livro, ao estabelecer-se nele a conexão direta com seu espírito, serviu-se tão-só do haver que este havia acumulado e de sua constante assistência. Eis, pois, sua fonte e a origem de sua sabedoria, que por sua expressa vontade se acha à disposição daqueles que desejam nutrir-se com os valores nela contidos.
O ESPÍRITO
A grandeza e a profundidade do pensamento logosófico tem inquietado não poucas vezes a opinião pública, desejosa de conhecer as fontes em que González Pecotche plasmou sua sabedoria. Este livro assinala o momento oportuno de revelar o segredo, já que seu conteúdo mesmo ajudará a compreendê-lo. O pensamento do criador da Logosofia é absolutamente original, o que quer dizer que González Pecotche não bebeu em fonte alguma. Sendo ainda muito jovem, teve a certeza de que haveria de realizar a Obra Logosófica, cujas projeções concebeu com a mais clara visão, tanto em seus conteúdos como em seu método. Essa mesma certeza foi justamente o que motivou sua primeira grande renúncia, já que sua enorme capacidade mental lhe haveria permitido alcançar qualquer título acadêmico, bastando-lhe querê-lo; é que de modo algum deveria mesclar o fruto de sua própria herança com os conhecimentos oficiais.
O ESPÍRITO
A grandeza e a profundidade do pensamento logosófico tem inquietado não poucas vezes a opinião pública, desejosa de conhecer as fontes em que González Pecotche plasmou sua sabedoria. Este livro assinala o momento oportuno de revelar o segredo, já que seu conteúdo mesmo ajudará a compreendê-lo. O pensamento do criador da Logosofia é absolutamente original, o que quer dizer que González Pecotche não bebeu em fonte alguma. Sendo ainda muito jovem, teve a certeza de que haveria de realizar a Obra Logosófica, cujas projeções concebeu com a mais clara visão, tanto em seus conteúdos como em seu método. Essa mesma certeza foi justamente o que motivou sua primeira grande renúncia, já que sua enorme capacidade mental lhe haveria permitido alcançar qualquer título acadêmico, bastando-lhe querê-lo; é que de modo algum deveria mesclar o fruto de sua própria herança com os conhecimentos oficiais.
A Logosofia já deixou reiteradamente expresso que não há outro intermediário entre Deus e o homem que seu próprio espírito, com quem deve vincular-se e a quem deve oferecer a direção de sua vida. Alcança-se essa finalidade enriquecendo a consciência por meio do conhecimento transcendente, pois só assim pode o homem compreender qual é sua missão e como está constituído seu ser imaterial, seu próprio espírito, agente que responde ao influxo da eterna Consciência Universal e leva consigo, através dos tempos, o signo cósmico da existência individual.
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